Turismo – URU – Litoral Leste
Litoral Leste
Para quem deseja explorar o Uruguai além do glamour de Punta del Este, a costa leste revela um lado muito mais rústico, selvagem e encantador. Existem diversas pequenas cidades e praias que valem a visita, mas nenhuma se compara ao Cabo Polônio.
Neste trecho da viagem, traçamos um roteiro que foge do óbvio e mergulha na essência do litoral uruguaio.
Saindo de Punta del Este, seguimos direto para Cabo Polônio, uma vila que parece ter parado no tempo e de propósito. Após passar o dia passeando em Cabo Polônio, optamos por pernoitar em La Paloma, uma das cidades costeiras com a melhor infraestrutura de hotéis e serviços, próxima ao Cabo Polônio.
No caminho de volta para Punta del Este, recomendamos duas paradas rápidas: a Laguna Garzón e a cidade de José Ignácio.
Já no trajeto de regresso a Montevidéu, não deixe de passar por Piriápolis. Diferente da modernidade de Punta, Piriápolis tem uma aura europeia clássica da Belle Époque.
Achamos este roteiro interessante, pois tem vários contrastes: do isolamento total de Cabo Polônio ao luxo discreto de José Ignacio, terminando com o charme histórico de Piriápolis.
Cabo Polonio
Para quem busca uma experiência verdadeiramente fora da rota convencional, Cabo Polonio é o destino mais místico do Uruguai. O acesso a esta vila protegida já faz parte da aventura, exigindo uma logística específica que preserva o seu isolamento.
Ao chegar, você deve estacionar o seu carro no estacionamento oficial do Portal de Entrada do Parque Nacional. A partir daí, veículos particulares são proibidos. O transporte até a vila é feito exclusivamente nas jardineiras (caminhões 4×4 abertos, com dois andares), preparados para enfrentar as dunas de areia e o terreno irregular.
Terminal Cabo Polonio
Os bilhetes das jardineiras para Cabo Polonio são vendidos exclusivamente no Terminal Cabo Polonio (na entrada do Parque Nacional). Não é possível comprar online com antecedência. Você chega, estaciona o carro e compra o próximo horário disponível. O valor para deixar o seu carro no estacionamento do terminal é cobrado à parte. O terminal aceita cartões de débito e crédito internacionais, mas leve pesos uruguaios em espécie, pois o sistema às vezes fica offline.
O trajeto entre a entrada do Parque Nacional e Cabo Polonio leva entre 20 e 30 minutos e é uma experiência em si: o sacolejo do caminhão, o vento no rosto e a visão das dunas se abrindo para o mar dão o tom da vila que aparece ao fundo quando se chega à praia.
Diário: Vários horários ao longo do dia e varia com a demanda
Jardineiras: $500 (R$ 65,00) (ida e volta)
Estacionamento: $300 (R$ 40,00) (24 h)
Vila de Cabo Polonio
Cabo Polonio é uma pequena vila de pescadores e artesãos que parece ter parado no tempo, embora já se vejam sinais da modernidade.
O local não possui rede de energia elétrica (as poucas luzes vêm de geradores ou painéis solares) nem rede de água encanada. À noite, pelo que dizem, a vila é iluminada pela luz das estrelas e pelo facho giratório do farol, criando uma atmosfera mágica e silenciosa.
Não existem ruas pavimentadas, apenas trilhas de areia que serpenteiam entre casas coloridas e rústicas, conhecidas como “ranchos”.
Farol
O Farol de Cabo Polonio foi construído em 1881 para evitar os constantes naufrágios naquelas águas e hoje é a única construção da vila com “eletricidade oficial” (ligada à rede nacional para garantir a segurança marítima).
Em alguns dias, em horários nem sempre fixos, é possível visitar o farol e subir até o topo.
Indefinido
$100 (R$ 13,00)
Loberia
Logo ao lado do farol, nas rochas que avançam sobre o Atlântico, acontece um dos espetáculos mais selvagens do Uruguai. A Lobería de Cabo Polonio abriga uma das maiores colônias de lobos e de leões-marinhos do mundo.
É bem legal observar a dinâmica social deles. Os grandes machos disputando espaço, as fêmeas cuidando dos filhotes e os jovens brincando nas ondas.
O que torna esta loberia especial é que você pode chegar perto dos animais, respeitando os limites das passarelas e das rochas. Para quem gosta de vida selvagem, é um prato cheio.
IMPORTANTE
Leve dinheiro em espécie (pesos uruguaios), pois nem todos os quiosques aceitam cartões e não há caixas eletrônicos na vila. E não esqueça de levar um casaco leve. Mesmo no verão, com um calor absurdo de dia, o vento no topo das jardineiras e o entardecer no Cabo costumam ser bem frescos.
DESVIO – Uma Noite em Cabo Polonio
Se você quiser uma experiência bem rústica, pode dormir em Cabo Polônio. Pelo que dizem, dormir em Cabo Polônio é uma experiência de desconexão quase absoluta e um dos pontos altos para quem deseja vivenciar a verdadeira “mística” do lugar. Mas se prepare. Na maioria das hospedagens, a iluminação é feita com velas e lanternas. Alguns estabelecimentos utilizam painéis solares para carregar lâmpadas de LED e oferecer pontos de carga para celulares. A água vem de poços artesianos. O banho quente é um “luxo” em algumas pousadas, nas mais simples, o banho é frio.
Como gostamos de ar-condicionado e banho quente, visitamos Cabo Polônio durante o dia e fomos até La Paloma para pernoitar.
La Paloma
La Paloma é a parada estratégica após a ida a Cabo Polônio. Diferente do isolamento absoluto de Cabo Polônio, esta cidade oferece uma boa oferta de hotéis, pousadas e restaurantes gourmet, sendo uma boa opção para uma noite tranquila.
É importante dizer que a experiência em La Paloma varia conforme o calendário. Durante a alta temporada (janeiro e fevereiro), a cidade atrai um grande número de turistas que buscam suas praias e a vida noturna.
Por outro lado, quem visita a cidade na baixa temporada encontrará um cenário de calmaria. Nesse período, muitos restaurantes e estabelecimentos comerciais fecham as portas e não se tem muito o que fazer na cidade além de caminhar pela orla semi-deserta.
Laguna Garzón
A volta de La Paloma para Punta del Este pode ser feita pelo interior ou pela costa. Optamos por ir pela costa e passar pela Laguna Garzón e José Ignacio.
Laguna Garzón
A Lagoa Garzón é um santuário ecológico conhecido por sua biodiversidade e por ser um local privilegiado para o avistamento de aves. Vale uma parada rápida na lagoa para ver diversos tipos de pássaros.
Ponte da Laguna Garzón
O grande ícone desta localização é a Ponte da Laguna Garzón, que é uma estrutura arquitetônica única que substituiu as antigas balsas que faziam a travessia.
Projetada pelo arquiteto Rafael Viñoly, a ponte tem formato de anel sobre a água. Este design não foi apenas uma escolha estética, mas uma estratégia para forçar os condutores a reduzir a velocidade e não incomodarem os pássaros da lagoa.
José Ignacio
José Ignacio é uma cidade de praia sofisticada, boêmia e “chic-rústica”. Antiga vila de pescadores a cerca de 30 km de Punta, o vilarejo se transformou em um dos destinos mais exclusivos da América do Sul, atraindo celebridades e viajantes que buscam privacidade sem abrir mão do requinte. Várias pessoas vêm para José Ignacio somente para fazer compras em suas boutiques e galerias de arte.
Praias
As praias de José Ignacio são conhecidas por terem uma atmosfera de exclusividade e pela beleza natural preservada, divididas pela península onde fica o farol.
Playa Mansa: Localizada no lado oeste da península. Tem águas calmas e protegidas do vento. A praia é boa para relaxar, nadar ou assistir ao pôr do sol.
Playa Brava: Situada no lado leste, voltada para o Oceano Atlântico. Tem um mar mais agitado e com ondas fortes. É preferida por surfistas e por público jovem, oferecendo uma paisagem mais selvagem, com dunas de areia extensas.
Farol
Além das praias, o maior atrativo turístico de José Ignacio é o Farol, construído em 1877 para guiar os navegantes e que hoje oferece uma das vistas mais bonitas da região, separando a Playa Mansa da Playa Brava.
Qui – Dom: 10h – 12h | 15h – 17h
$100,00 (R$ 13,00)
Piriápolis
A cidade foi fundada em 1890 como “Heliópolis”, e Francisco Piria a desenhou com vários simbolismos. A cidade foi concebida para a aristocracia da época. O Argentino Hotel Casino & Resort, inaugurado em 1930, foi o auge deste projeto, sendo, na época, o maior hotel da América do Sul e atraindo a elite de Montevideu e de Buenos Aires.
Castelo de Píria
O Castelo de Píria foi a residência particular de Francisco Piria, o fundador da cidade. É uma construção imponente de 1897. A arquitetura mistura estilos, e o interior abriga móveis originais e objetos que contam a história da fundação da cidade e da alquimia, tema que fascinava Piria.
O castelo fica um pouco mais afastado do centro, na Ruta 37. Se passar por Piriápolis na ida a Punta del Este, deixe o castelo para o final. Se estiver voltando para Montevidéu, passe pelo castelo primeiro.
Ter a Dom: 9h – 19h
Gratuíto (Aceitam Doações)
Hotel Argentino
O Argentino Hotel Casino & Resort é o grande símbolo da cidade. Quando foi inaugurado, em 1930, era o maior e mais luxuoso hotel da América do Sul. Hoje está bem decadente, e o único ponto renovado é o Cassino.
Orla (Rambla)
A Rambla de Piriápolis é uma das mais bonitas do Uruguai e teve o design inspirado na Côte d’Azur francesa. A orla é larga, muito bem cuidada e legal para uma caminhada rápida.
Cerro San Antonio
Se tiver tempo, suba o Cerro San Antonio, indo pelo teleférico que sai do porto. A vista lá de cima, com a igrejinha e o panorama de toda a baía de Piriápolis, é um dos cenários mais fotografados do país.
Seg a Sex: 10h – 18h
Sab e Dom: 9h – 20h
$300 (R$40,00)
