Turismo: Portugal – Évora e Elvas
Évora e Elvas
Para dar início à nossa série de roteiros por Portugal, escolhemos uma jornada que combina perfeitamente estradas tranquilas, planícies douradas e uma densidade histórica impressionante: o Alentejo. Para esta viagem, reservamos dois dias completos, um dedicado a Évora e outro a Elvas, o que se mostrou um tempo bem equilibrado para conhecer o essencial de cada uma dessas cidades sem muita correria.
Nossa logística começou em Lisboa, de onde partimos no final da tarde e chegamos no início da noite a Évora. Escolhemos Évora como nossa base estratégica para as duas noites por ser uma cidade maior e por contar com uma estrutura de hotéis e restaurantes bem mais robusta.
Para que o roteiro funcionasse de forma eficiente, alugamos um carro no aeroporto de Lisboa. Estar motorizado foi a decisão mais acertada da viagem. Além de garantir total liberdade de horários, o carro foi essencial para explorarmos os pontos mais afastados e monumentais de Elvas e, de quebra, fazermos uma parada estratégica na charmosa Vila Viçosa no caminho.
Évora
A viagem de Lisboa a Évora é curta e extremamente tranquila, com aproximadamente 130 quilômetros de distância. O trajeto é feito quase todo pela autoestrada A6, uma via de pista dupla, muito bem conservada e sinalizada. O percurso leva pouco mais de 1 hora e 15 minutos.
Se você estiver de carro, como nós estávamos, o ideal é se hospedar em hotéis ao lado do centro histórico, e não exatamente no meio dele, onde a maioria dos hotéis não tem estacionamento ou tem apenas duas ou três vagas.
Évora é o coração do Alentejo e uma das cidades mais antigas de Portugal, classificada como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Caminhar pelas suas ruas estreitas e caiadas de branco, cercadas por muralhas medievais, é fazer uma viagem no tempo, onde diferentes civilizações deixaram marcas profundas que convivem harmoniosamente até hoje.
Uma das grandes vantagens de Évora é que o seu centro histórico não é muito extenso. Por isso, uma vez dentro das muralhas, a melhor decisão é fazer tudo a pé. Os principais pontos de interesse, como o Templo Romano, a Sé Catedral e a Capela dos Ossos, ficam muito próximos uns dos outros, permitindo que você caminhe calmamente pelas ruelas medievais e descubra o charme da cidade no seu próprio ritmo.
Capela dos Ossos
Nossa primeira parada do dia foi na Igreja de São Francisco e na famosa Capela dos Ossos, que fica anexa ao templo. A igreja em si é uma construção imponente do período gótico-manuelino, mas é a capela que atrai as maiores atenções. Por mais que o conceito possa parecer sombrio à primeira vista, é no mínimo interessante e fascinante ver um local onde ossos e crânios humanos foram utilizados de forma tão calculada e artística para revestir as paredes e colunas.
Hoje, o complexo onde está a capela funciona como um museu muito bem estruturado. Além do impacto da capela no piso térreo, a visita se estende pelos andares superiores: no primeiro andar, há uma exposição de obras de arte sacra; já no segundo andar, fomos surpreendidos por uma grandiosa e riquíssima coleção de presépios vindos de diversas partes do mundo. Para fechar a visita, este segundo andar ainda conta com uma varanda que serve de pequeno mirante, oferecendo uma vista muito bonita dos telhados e do casario do centro histórico de Évora.
Para quem visita o local, vale uma dica prática importante sobre a logística do espaço: a entrada para o museu e para a Capela dos Ossos não é pela porta principal da igreja, mas sim por um acesso lateral, logo ao lado da igreja. Você precisa entrar por esse corredor e caminhar até o fundo. No início, a sensação é de que você está indo a lugar nenhum, mas pode seguir sem receio, pois a bilheteria e a entrada oficial do museu ficam exatamente lá no fim.
Diário: 9h – 18:30h
Euros 3,00 (R$ 18,00)
Igreja de São Francisco
A Igreja de São Francisco merece uma visita por si só, e não apenas por estar do lado da entrada da Capela dos Ossos. Sinceramente, esta igreja é a mais bonita de Évora. Construída entre o final do século XV e o início do século XVI, ela é um dos exemplares mais impressionantes do estilo gótico-manuelino em Portugal, carregando a imponência da era das Grandes Navegações.
O que mais chama a atenção logo na chegada é a sua escala monumental e as linhas arquitetônicas. O templo foi intimamente ligado à coroa portuguesa, e os reis D. João II e D. Manuel I viveram no palácio real adjacente à igreja, o que justifica a presença de brasões e insígnias reais esculpidos na pedra.
Ao entrar, você se depara com uma nave única surpreendentemente ampla, coberta por uma abóbada de pedra. O interior é sóbrio, mas ricamente decorado com painéis de azulejos típicos portugueses e vários altares em talha dourada do período barroco. É um espaço imponente que respira a história do apogeu econômico e político de Portugal.
Diário: 9h – 18:30h (Jun – Set) e 9h – 17h (Out – Mai)
Lembrando que, durante as missas, é proibida a entrada para visita.
Gratuito
Praça do Giraldo
Saindo da Igreja de São Francisco e subindo em direção à catedral, você encontra a Praça do Giraldo. Considerada o verdadeiro coração de Évora, esta praça ampla e elegante é o principal ponto de encontro da cidade.
Cercada por edifícios históricos de fachadas brancas e imponentes arcadas medievais, que hoje abrigam lojas, cafés e esplanadas, a praça carrega séculos de história e tem sido palco de grandes eventos desde a Idade Média.
O grande destaque arquitetônico da praça é a Igreja de Santo Antão, uma construção do século XVI que domina uma das extremidades da praça. Logo em frente ao templo, fica o famoso Chafariz de Mármore, uma fonte barroca com oito bicas que representam as oito ruas que convergem para ali.
Igreja de Santo Antão
A Igreja de Santo Antão pode ser visitada, mas é muito comum encontrá-la fechada fora do horário de culto, o que costuma surpreender a maioria dos turistas. E foi o que aconteceu conosco. O horário de funcionamento é muito restrito e ainda fecham para o almoço.
Diário: 9h – 11:45h | 15h – 17h
Lembrando que, durante as missas, é proibida a entrada para visita.
Gratuito
Sé Catedral de Évora
A Sé Catedral de Évora (oficialmente Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção) é a maior catedral medieval de Portugal e um dos monumentos mais impressionantes da cidade. Construída em granito entre o final do século XII e o século XIII, ela está em um dos pontos mais altos de Évora.
A catedral é um exemplo da transição do estilo românico para o gótico. Olhando para a sua fachada, a sensação é a de estar diante de uma fortaleza, com duas torres imponentes e assimétricas (uma delas terminada por uma flecha cónica revestida de azulejos azuis).
Como era de se esperar de um monumento dessa magnitude, a visita à Sé é paga. Na bilheteria, você pode escolher o que deseja visitar, mas a nossa recomendação é comprar o bilhete completo, que dá acesso à nave da catedral, ao claustro gótico, ao museu de arte sacra, ao terraço e à torre.
Se você quiser ter uma vista panorâmica de 360 graus de toda a cidade e tiver fôlego, vale muito a pena subir à torre mais alta. Prepare as pernas: são cerca de 135 degraus numa escada em caracol estreita de pedra. Se preferir algo mais tranquilo e menos cansativo, a dica é seguir direto para o claustro gótico. De lá, há uma pequena escada, bem curta e mais fácil de subir (embora também seja uma escada em caracol ainda mais estreita), que leva diretamente ao terraço principal. A vista do terraço também é super legal, mas fique atento: dali você só vê o lado de trás e a lateral da igreja, e não a cidade inteira como lá do topo da torre.
Após a visita ao claustro, a rota natural de visita leva diretamente ao interior da nave da catedral. O grande destaque aqui é a sensação de imponência da imensa nave central em granito e, principalmente, o zimbrório, a torre-lanterna gótica localizada sobre o cruzeiro, que inunda o centro da igreja com uma luz belíssima. Repare também no altar-mor em mármore colorido, que contrasta com a sobriedade medieval do restante do templo.
Por fim, a rota termina no Museu de Arte Sacra, localizado em um prédio anexo à catedral. Aqui vai um detalhe prático: guarde muito bem o seu ticket de papel até o final! O código de barras dele é a “chave” eletrônica que você precisa escanear na catraca automática para abrir a porta tanto para entrar quanto para sair do museu de arte sacra.
Diário: 9h – 18:30h
Euros 5,00 (R$ 30,00)
Templo Romano
Saindo da catedral, o Templo Romano fica a uma curta caminhada, no ponto mais alto e nobre da antiga cidade. O Templo Romano de Évora é o monumento mais famoso da cidade e é considerado um dos vestígios da civilização romana mais importantes e bem conservados de toda a Península Ibérica, embora eu, particularmente, não concorde com isso.
Construído no século I d.C., durante o período em que a cidade se chamava Liberalitas Julia, o templo era o coração do antigo fórum romano e foi erguido em homenagem ao Imperador Augusto.
O seu estado de conservação, após mais de dois milênios, é relativamente bom. Isso aconteceu por um motivo curioso: durante a Idade Média, as aberturas entre as colunas foram emparedadas e o templo foi transformado em uma torre de defesa e, mais tarde, até em um açougue municipal. Essa utilização “profana” acabou por proteger a estrutura de granito e mármore contra desabamentos e saques de pedras. Mas já aviso: se você já visitou a Grécia, o templo não é nada demais. Porém é no mínimo curioso encontrar um templo romano no meio de uma cidade portuguesa.
O templo fica em uma praça aberta, cercada por um pequeno jardim e por esplanadas, o que significa que a visitação é gratuita e pode ser feita a qualquer hora do dia ou da noite.
Jardim Diana
Logo atrás do Templo Romano fica o Jardim Diana, um espaço verde, charmoso e arborizado bem no ponto mais alto da cidade. É um lugar bom para descansar um pouco depois de caminhar pelas ruelas de Évora.
O destaque deste jardim é o mirante. Como está localizado numa posição elevada, a varanda do jardim oferece uma vista panorâmica da parte baixa da cidade, do casario branco com os seus telhados de barro e, ao fundo, as planícies alentejanas.
Palácio dos Duques de Cadaval
O Palácio dos Duques de Cadaval fica localizado ao lado do Templo Romano e do Jardim Diana, completando o conjunto monumental mais nobre de Évora. Construído no século XIV sobre as ruínas de um antigo castelo mouro, o palácio serviu de residência aos Duques de Cadaval e, ocasionalmente, a governantes e a membros da própria família real portuguesa.
O palácio hoje virou um museu particular com exposições temporárias. A visita ao palácio é paga e o percurso aberto ao público inclui as salas de exposição e a Igreja de São João Evangelista.
A visita, no caso, vale mais pela Igreja de São João Evangelista (Igreja dos Lóios), pois o seu interior é totalmente revestido, de cima a baixo, por painéis de azulejos azuis e brancos do século XVIII, que narram a vida de São Lourenço Justiniano. O piso da igreja ainda abriga as sepulturas de mármore da família Cadaval.
Qua – Dom: 9h – 13h | 14h – 17h
Euros 6,00 (R$ 36,00)
Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
Este museu, também chamado de Museu de Évora, entre a Sé Catedral e o Templo Romano, ocupando o antigo Palácio Episcopal. O acervo do museu é vasto e abrange uma seção de arqueologia, uma seção de escultura e arte sacra, e o grande tesouro do museu: o Políptico da Sé de Évora (m conjunto de 19 pinturas em painéis de madeira do final do século XV, de autoria de mestres da escola flamenga).
Diário: 9h – 13h | 14h – 17:30h
Euros 4,00 (R$ 24,00)
Museu da Carruagem
O Museu da Carruagem é um museu bem pequeno situado atrás do Museu de Évora. A entrada para este espaço é gratuita. O acervo também é pequeno, contando com 5 carroças e poucas outras peças e malas de viagem antigas. Se tiver pouco tempo, não irá perder muito não visitando o museu.
Diário: 10h – 18h
Gratuito
Elvas
A segunda parada nesta viagem foi a cidade de Elvas, a maior cidade-quartel fortificada do mundo e classificada como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Os destaques estão nas suas fortificações em formato de estrela, no gigantesco Aqueduto da Amoreira e no centro histórico, que guarda muito da história militar de Portugal na defesa de suas fronteiras.
A estrada que liga Évora a Elvas é majoritariamente a autoestrada A6, de pista dupla e bem conservada. A distância entre Évora e Elvas é de aproximadamente 85 quilômetros, um trajeto curto que leva cerca de 1 hora.
Para quem está de carro, há um estacionamento conveniente bem em frente à praça do mercado e também um parque de estacionamento maior logo ao lado deste, ao qual se chega através de uma passagem por baixo da própria muralha histórica (instalado na zona do antigo fosso). Estes estacionamentos são convenientes por serem gratuitos e ficarem a poucos minutos a pé da Praça da República, o coração de Elvas e o ponto de partida ideal para explorar a vila fortificada a pé. Também há um estacionamento subterrâneo sob a Praça da República, porém é pago.
Praça da República
A Praça da República é o coração de Elvas. O destaque arquitetônico da praça é a imponente Igreja de Nossa Senhora da Assunção (a antiga Sé de Elvas). Ao redor da praça, edifícios históricos com varandas de ferro forjado abrigam a antiga Câmara Municipal, o Posto de Turismo e vários cafés, restaurantes e esplanadas.
Igreja de Nossa Senhora da Assunção
A Igreja de Nossa Senhora da Assunção (antiga Sé de Elvas) é o principal monumento religioso da Praça da República. Ela ostentou o título de catedral da cidade até 1881, quando a diocese de Elvas foi extinta.
Desenhada pelo famoso arquiteto Francisco de Arruda, o mesmo responsável pela Torre de Belém, em Lisboa, e pelo Aqueduto da Amoreira, a igreja começou a ser erguida em 1517. O seu exterior é o de uma igreja-fortaleza, com fachada robusta e maciça e duas torres, uma arquitetura militarizada comum nas zonas de fronteira da época. O portal lateral gótico-manuelino é um dos detalhes exteriores mais bonitos.
Ter – Dom: 10h – 12:30h | 14:30h – 17h (Mas nem sempre está aberta)
Gratuito
Igreja das Dominicas
Subindo em direção ao castelo, encontramos a Igreja das Dominicas (oficialmente conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Consolação). Esta é uma das maiores surpresas de Elvas.
Por fora, a sua fachada renascentista, integrada ao casario, é bastante discreta. Porém, ao entrar na igreja, o cenário é totalmente diferente. Primeiro, o seu formato está longe de ser igual a da maioria das igrejas. O templo possui uma estrutura interna de formato octogonal, inspirada na arquitetura renascentista italiana e no estilo dos templos templários. A cúpula é sustentada por oito colunas imponentes.
E, em segundo lugar, as paredes, os arcos e toda a extensão da cúpula são completamente revestidos de azulejos padronizados do século XVII (conhecidos como azulejos de padrão ou “tapete”). Os tons de azul, amarelo e branco criam um efeito óptico impressionante.
Ter – Dom: 10h – 13h | 15h – 18h
Gratuito (Aceita doações)
Pelourinho
O Pelourinho de Elvas fica ao lado da Igreja das Dominicas, no Largo de Santa Clara. Erguido originalmente no século XVI, em pleno reinado de D. Manuel I, o pelourinho é uma peça do estilo manuelino esculpida em mármore branco da região. A sua estrutura é composta por uma coluna torsa (em espiral) que lembra cordas marinhas entrelaçadas, um detalhe ornamental muito típico da época dos Descobrimentos. No topo, a coluna é coroada por quatro braços de ferro forjado que terminam em cabeças de serpentes ou dragões, de onde eram penduradas as correntes.
Historicamente, o pelourinho desempenhava uma dupla função. Era o local público onde se aplicava a justiça e se puniam os criminosos para servir de exemplo à população, mas também representava o orgulho e o estatuto de Elvas como concelho livre e independente.
Arco de Santa Clara
Seguindo em direção ao castelo, você passará sob o Arco de Santa Clara. Ele é um dos vestígios da antiga cerca medieval de Elvas, a muralha que delimitava a cidade nos tempos em que ainda não dispunha do seu atual sistema de fortificações em estrela, que só veio a ser construído mais tarde, nos séculos XVII e XVIII.
Ao atravessar o arco, você deixa a Praça da República e entra no Bairro de Santa Clara, uma das zonas mais antigas, pitorescas e bem conservadas de Elvas.
Castelo de Elvas
O Castelo de Elvas fica no ponto mais alto da cidade (mais ou menos). Ele desempenhou um papel fundamental na história de Portugal como a primeira linha de defesa contra as invasões vindas de Castela, sendo considerado um dos pontos mais estratégicos de toda a fronteira luso-espanhola.
As suas origens remontam ao período de domínio islâmico (séculos VIII a IX), tendo sido reconstruído e ampliado várias vezes após a Reconquista Cristã, especialmente nos reinados de D. Dinis e D. João II. Ao longo dos séculos, o castelo viu as suas muralhas medievais serem integradas no complexo sistema de fortificações que hoje circunda a cidade.
Vale ressaltar que o Castelo de Elvas é pequeno. Ao contrário dos castelos europeus, que serviam de residência luxuosa para a realeza, este espaço funcionava apenas como uma fortificação militar de fronteira, focada na defesa e no abrigo de tropas, e não como moradia para os nobres.
Por conta disso, o seu interior é bem simples e austero, sem salões decorados ou grandes ornamentos. O verdadeiro forte da visita não é o luxo interno, mas sim a importância histórica da estrutura e a vista panorâmica que as suas muralhas proporcionam.
De cima das muralhas do castelo, tem-se uma vista de 360 graus que abrange todo o emaranhado de telhados e ruelas brancas de Elvas, os imponentes Fortes de Santa Luzia e da Graça e, cruzando a fronteira espanhola, consegue-se ver a cidade de Badajoz ao longe.
Ter – Dom: 9:30h – 13h | 14h – 17:30h
Euros 2,00 (R$ 12,00)
Mirante do Castelo
Ao lado do castelo, à direita, há uma praça elevada que funciona como um mirante, a partir do qual é possível ver parte da cidade baixa. É um ponto de parada obrigatório para tirar fotos com a muralha e o vale ao fundo, antes de começar a descer novamente em direção à Praça da República.
DICA
Fica aqui um detalhe muito importante para o seu planeamento: todas as atrações no centro histórico de Elvas fecham para o almoço, mas os fortes não.
Neste período do meio-dia, você tem duas opções: pode parar para almoçar tranquilamente num dos restaurantes locais ou fazer exatamente como nós fizemos. Aproveitámos essa pausa para pegar no carro e fomos ver o impressionante Aqueduto da Amoreira e os dois fortes da cidade: o Forte de Santa Luzia e o Forte da Graça. Comemos algo rapidamente pelo caminho e, logo depois do almoço, voltámos ao centro histórico para ver o Museu Militar e a Igreja de São Domingos assim que reabriu. É uma excelente forma de otimizar o tempo e de não ficar parado enquanto os museus e as igrejas da vila estão fechados. Fazendo isso, você pode estacionar o carro ao lado do Museu Militar.
Esta foi a opção por que optamos para ter tempo de visitar todas as atrações de Elvas e passar na Vila Viçosa no caminho de volta.
Vale ressaltar que os dois fortes ficam um pouco distantes do centro histórico e, na prática, são acessíveis apenas de carro. Como o Forte de Santa Luzia fica na extremidade sul e o Forte da Graça está posicionado no topo de um monte consideravelmente alto, ao norte da cidade, percorrer esses trajetos a pé a partir do centro antigo seria muito demorado e cansativo. Estar com o próprio veículo é fundamental para visitá-los, o que se encaixa perfeitamente na estratégia de pegar o carro no horário do almoço para explorar essas atrações.
Igreja de São Domingos
Esta igreja pertenceu ao antigo Convento de São Domingos, fundado no século XIII, e o seu edifício atual remonta a uma grande reconstrução realizada na transição do século XVI para o XVII.
O interior destaca-se pela sua amplitude e, principalmente, pelo belo revestimento de azulejos e pelos altares em talha dourada do período barroco.
Ter – Dom: 10h – 13h | 15h – 18:30h
Gratuito
Museu Militar de Elvas
O Museu Militar de Elvas é o maior museu militar de Portugal em termos de área ocupada e um dos pontos mais interessantes da cidade. Ele fica instalado no antigo Quartel de São Domingos.
A coleção do museu é gigantesca e muito diversificada, mas sempre gira em torno do tema do exército. De fora, você não percebe o quão grande é o museu, mas o espaço é muito amplo e repleto de pavilhões. É um passeio imperdível tanto para os entusiastas da história e da tecnologia militar quanto para quem deseja compreender a fundo por que Elvas recebeu o título de Património Mundial da UNESCO. É fácil passar de 1 a 3 horas aqui, dependendo do seu ritmo.
O interessante é que o museu tem peças que dificilmente se vê em outros museus, como por exemplo uma seção de arreios que mostra como era feito o transporte militar usando cavalos e mulas para carregar metralhadoras e canhões. A coleção de carros e tanques militares também é bem grande.
Ter – Dom: 10h – 12:30h | 14:30h – 19h (Abr – Out)
Ter – Dom: 9:30h – 12:30h | 14:30h – 17:30h (Nov – Mar)
Euros 4,00 (R$ 24,00)
Aqueduto da Amoreira
O Aqueduto da Amoreira é o monumento mais monumental e imponente de Elvas e uma das maiores obras de engenharia hidráulica da Península Ibérica. Quando você se aproxima da cidade pela estrada, o aqueduto é o primeiro cenário que você vê.
A obra começou a ser erguida em 1537, projetada pelo mesmo arquiteto da Torre de Belém e da antiga Sé de Elvas, Francisco de Arruda. O objetivo era canalizar a água da nascente da Amoreira até o coração da vila fortificada. Devido à enorme escala do projeto e às interrupções causadas por guerras e falta de verbas, a construção levou mais de 100 anos para ser totalmente concluída, sendo finalizada apenas em 1622.
Há um pequeno estacionamento ao lado do aqueduto, onde você pode parar e tirar fotos com tranquilidade.
Forte de Nossa Senhora da Graça
O Forte de Nossa Senhora da Graça é uma das obras-primas da arquitetura militar setecentista mundial e um dos principais motivos para que Elvas tenha recebido o título de Património Mundial da UNESCO. Erguido no topo do Monte da Graça, uma posição estratégica que antes permitia aos inimigos bombardear a cidade, o forte foi construído no século XVIII para garantir que Elvas se tornasse visual e militarmente intransponível.
A sua estrutura defensiva do forte baseia-se num sistema desenhado em formato de estrela, com múltiplas linhas de fossos, pontes levadiças, baluartes e muralhas duplas, projetadas para resistir aos mais violentos cercos de artilharia da época.
No centro do forte fica a Casa do Governador. Esta imponente residência palaciana ostenta uma arquitetura sofisticada e janelas que ofereciam um controle visual absoluto de toda a região.
A caminhada pelas muralhas mais altas revela uma paisagem muito legal da planície alentejana e das linhas defensivas de Elvas, evidenciando por que a fortaleza nunca foi tomada por forças inimigas.
Ter – Dom: 10h – 18h
Euros 5,00 (R$ 30,00)
Forte de Santa Luzia
O Forte de Santa Luzia é o outro grande pilar defensivo de Elvas, localizado na zona sul da cidade. Embora seja menor que o Forte da Graça, ele é mais antigo e enfrentou e resistiu com sucesso a batalhas reais e cercos pesados durante as Guerras de Restauração de Portugal no século XVII.
Construído a partir de 1641, este forte foi desenhado em formato quadrado, com baluartes nos cantos, formando a clássica silhueta de estrela que caracterizava a engenharia militar daquela época. A sua função era proteger o flanco sul de Elvas e impedir que as forças espanholas controlassem as vias de acesso à cidade.
O Forte de Santa Luzia abriga o pequeno Museu Militar do Forte de Santa Luzia, com um acervo que inclui maquetes, armas antigas, fardamentos e painéis que detalham as táticas de guerra e as batalhas ocorridas naquela zona de fronteira.
Qua – Dom: 11h – 18h
Euros 3,00 (R$ 18,00)
Vila Viçosa
Na viagem de volta de Elvas para Évora, há uma parada imperdível: a charmosa vila de Vila Viçosa, que abriga o impressionante Palácio Ducal. Este palácio foi uma das residências reais mais importantes de Portugal e a sede da poderosa Casa de Bragança.
No entanto, para incluir esta joia no seu roteiro e ver o palácio por dentro, a logística do tempo precisa ser precisa. O Palácio Ducal só pode ser visitado por meio de visitas guiadas, e as últimas entradas ocorrem ao final da tarde. Por isso, é preciso sair de Elvas por volta das 16:00 no verão e por volta das 15:00 no inverno para garantir que chega a tempo de apanhar uma das últimas duas visitas guiadas do dia, evitando encontrar o palácio fechado. A distância entre Elvas e a Vila Viçosa é de 40 km e leva cerca de 30 a 40 min.
Palácio Ducal
O Paço Ducal de Vila Viçosa é um dos monumentos mais espetaculares de Portugal, carregando uma importância histórica imensa por ter sido a residência de veraneio da Dinastia de Bragança, a última família real a governar o país.
A imponência do palácio impressiona logo na chegada. A sua fachada tem 110 metros de comprimento e é totalmente revestida com o famoso mármore de Vila Viçosa. Construído no século XVI, o edifício combina influências renascentistas e maneiristas, imitando o estilo das grandes vilas italianas da época.
Como o acesso ao interior é feito exclusivamente por visitas guiadas, percorrer as suas salas é uma verdadeira viagem ao quotidiano da realeza. A visita dura cerca de 1 hora. O acervo impressiona pela riqueza e pela conservação.
Depois de passar por Elvas com seu estilo sóbrio e militar, uma visita ao Palácio Ducal é um contraste gigantesco. A visita ao Palácio vale muito a pena, e é estranho que quase não se vejam informações sobre ele fora de Portugal.
(Jun – Set) Ter: 14h – 18h (Última visita as 17h)
(Jun – Set) Qua – Dom: 10h – 13h | 14h – 18h (Última visita as 17h)
(Out – Mai) Ter: 14h – 17h (Última visita as 16h)
(Out – Mai) Qua – Dom: 10h – 13h | 14h – 17h (Última visita as 16h)
Euros 9,00 (R$ 54,00)
Montemor-o-Novo
Se você tiver tempo na viagem de volta de Évora para Lisboa, vale uma rápida parada em Montemor-o-Novo.
A atração ali é subir ao topo do morro da cidade para ver as ruínas do antigo feudo e o que resta do seu castelo medieval. Como a paragem é rápida e o acesso ao recinto do castelo é livre, é um bom momento para esticar as pernas e tirar algumas fotografias.
Castelo de Montemor-o-Novo
O Castelo de Montemor-o-Novo é um monumento de grande importância histórica e arqueológica. Ao contrário de outras fortalezas que guardam apenas uma torre isolada, este complexo abriga as ruínas de uma antiga vila medieval fortificada, que serviu como um feudo vibrante e estratégico ao longo de séculos.
As origens da ocupação deste morro são remotas, mas as grandes muralhas que vemos hoje ganharam forma após a Reconquista Cristã no século XIII, tendo sido ampliadas por D. Dinis e D. Manuel I. Foi um dos palcos preferidos da realeza portuguesa para a realização de cortes e grandes decisões políticas. Foi precisamente no interior deste castelo, em 1496, que o rei D. Manuel I reuniu o seu conselho para aprovar e planear a histórica viagem marítima de Vasco da Gama rumo à Índia.
Vale ressaltar que hoje restou muito pouco do antigo feudo, mas ainda é possível ver vestígios daquela época. Durante a caminhada pelas ruínas, você conseguirá identificar a icónica Porta do Sol, as ruínas do Paço dos Alcaides e a Igreja de Santiago, que resistiu ao tempo e hoje ajuda a contar a história de Montemor-o-Novo.
24 h (Espaço Público)
Gratuito (Há uma taxa de 3,00 Euros se quiser visitar o Espaço Informativo)
